Arquivo do autor:Fábio Flatschart

Sobre Fábio Flatschart

Fábio Flatschart, Gerente de Marketing e Inovação da Soyuz Sistemas, é graduado em Artes pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, especialista em Criação Visual e Multimídia pela USJT e MBA em Marketing pela FGV. É autor da Editora Brasport e consultor da Adobe Systems Brasil. No SENAC /SP atuou no atendimento corporativo e intermediação de parcerias com grandes empresas como Adobe, Apple, Editora Abril, Microsoft, UOL e W3C. Desde 2012 é professor do MBA em Marketing Digital da FGV.

SEO, qual é a música?

SEO e Mozart : Aqui não é lugar para amadores !

SEO e Mozart : Aqui não é lugar para amadores !

Poucas figuras exercem um fascínio tão grande sobre o imaginário popular como a do maestro: Poder, liderança, glamour, foco das atenções são alguns dos elementos que muitos atribuem como intrínsecos á este metier. Esquecem-se das horas solitárias de abnegação e estudo e do disputadíssimo e nem sempre ético mercado do show business da música de alta performance.

O maestro, aliás, maestro é título, sua função é regente ou diretor, é antes de tudo um músico, estudou em profundidade pelo menos um instrumento, mas normalmente domina alguns deles além de possuir profundo conhecimento da linguagem musical em suas abordagens teóricas e práticas.

O ponto de partida para o trabalho do maestro é a partitura, ela é o código fonte de onde tudo nasce, é a sintaxe musical permite descrever e detalhar todos os elementos necessários para a construção e execução de uma obra. Os quatro elementos básicos do som (altura, duração, intensidade e timbre) estão ali mercados se articulam na construção do tecido musical que é o contraponto de ritmo, melodia e harmonia.

Se tudo está minuciosamente marcado na partitura (código) por que uma sinfonia de Mahler na interpretação do maestro “A” soa diferente da mesma sinfonia na leitura do maestro “B”?

A partitura (código) é fria, é léxico, é sintaxe. Quem dá vida, molda e contextualiza é o elemento humano, é a interpretação, é a semântica !

A semântica é o estudo dos significados. Ela está presente na linguística, ciência, literatura, música, web e procura estabelecer a relação entre palavras, frases, sinais, códigos, símbolos e aquilo que eles representam.

Tal como um maestro estuda e dá vida á um partitura, um profissional de SEO de alto desempenho explora os elementos semântico de produção, indexação e otimização para dar vida ao conteúdo.

O código e a sintaxe

Um maestro domina a codificação dos elementos da partitura, ele sabe como ler e interpretar cada um dos elementos da linguagem musical. Mesmo não sendo um instrumentista, um virtuose, o domínio da linguagem musical é condição sine qua non para o exercício da sua atividade.

O profissional de SEO domina a estruturação sintática do código, sabe ler e interpretar cada um dos elementos do código. Mesmo não sendo um programador ou desenvolvedor, ele sabe que o domínio da linguagem web (inclusive HTML5) é condição sine qua non para o exercício da sua atividade.

Arquitetura da informação

O maestro sabe que entender a forma e arquitetura da peça a ser executada define a clareza e a transparência a ser transmitida pelo texto musical. Por exemplo, a forma sonata é estruturada em exposição, desenvolvimento e reexposição. Como estas seções se interligam é o que dá sentido ao entendimento da obra pelo ouvinte.

O SEO nasce junto com a arquitetura da informação, blocos de texto e de código não fazem sentido sozinhos, dependem de como estão inseridos na estrutura. O profissional de SEO sabe que a clareza do design estrutural define como usuários e mecanismos de busca interpretarão a mensagem pretendida pelo documento.

Semântica e Contexto

Uma obra musical não é desconectada da época e do contexto no qual ela foi produzida. Narrativas, histórias e personagens surgem do discurso musical, é papel do maestro identificá-las e realçá-las na execução. As entrelinhas do discurso musical “escondem” elementos ricos de interpretação.

O profissional SEO sabe como estabelecer conexões ricas de significado para o conteúdo seja pelo uso correto dos novos elementos semânticos do HTML5 ou pelo uso de taxonomias que possam ser “tagueadas” com microformatos.

Trabalho em equipe

Da batuta do maestro não sai som ! Seu trabalho só se concretiza a partir da integração de muitos profissionais como instrumentistas (sopros, madeiras, metais, percussão), solistas, cantores, arranjadores, copistas, técnicos e engenheiros de som, staff de estúdio ou de palco.

O profissional de SEO não trabalha sozinho, sua atuação depende de equipes multidisciplinares: arquitetos de informação, designers, desenvolvedores e profissionais de marketing. Sem esta integração não é possível SEO de alta performance. SEO Holístico, SEO 360, SEM, os nomes não importam, importa a pluralidade da equipe.

Formação profissional

Não existe curso de maestro, o profissional se constrói a partir de sólida formação em linguagem musical, interpretação e estética. Não se aprende tudo isso em dias semanas ou meses, estas competências são construídas durante anos.

Dicas, oficinas e palestras são importantes, excelentes para o profissional de SEO como forma de atualização e networking, mas a capacitação do profissional desta área envolve uma sólida formação em tecnologia, comunicação e marketing. Peço desculpas se desapontei aqueles que achavam que era fácil e rápido :-)

Coda

Um famoso apresentador perguntava todos os domingos em seu programa:

Maestro, qual é a música?

Eu pergunto :

SEO , qual é a música ?

Marketing Semântico e Open Web Platform

Em tempos onde as verdades absolutas não são questionadas e a sabedoria das multidões vira pretexto para justificar os mais inusitados acontecimentos, contrariar a máxima do ditado latino “Vox Populi, Vox Dei” soa tão perigoso quanto foi afirmar perante o tribunal da santa inquisição de que a terra era redonda e de que não era ela o centro do universo. Enquanto a unanimidade perpetua o “Status Quo”, o contraponto da divergência, a polêmica e ponto fora da curva geram inovação.

A Sabedoria das Multidões (The Wisdom of Crowds em inglês) é o título do livro de James Surowieck, publicado em 2004, que aborda como quase sempre (algumas controvérsias aqui !) as decisões ou escolhas feitas por um grupo são melhores do que se fossem feitas por qualquer um dos membros deste grupo. Alguns autores e pesquisadores preferem optar pelo termo Inteligência Coletiva para ilustrar essa mesma linha de pensamento.

Este conceito foi usado e abusado pelas empresas para justificarem seus modelos colaborativos, alguns fantásticos outros nem tanto, da então nascente WEB 2.0 após a estouro da primeira bolha da internet por volta de 1999/2000 onde todos passamos a ser “co-autores” da rede ou como gostam de dizer ao americanos “prosumers” que é a junção das palavras “producers + consumers”. Em português seria algo como “prossumidores”, ou seja, “produtores + consumidores”. Era o mundo dos blogs, das wikis e das plataformas sociais colaborativas que começava a tomar força.

Passados então 12 anos, todas estas questões agora ganham uma reverberação ainda maior dentro da realidade entrópica das redes sociais: autoria, co-autoria, crowdsourcing, engajamento, viralização e privacidade são pontos estratégicos a serem considerados pelos indivíduos ou pelas instituições que desejam assumir e monitorar a gestão de suas presenças nas múltiplas plataformas de relacionamento social.

Gostaria de citar um trecho do excelente post que o Marcelo Bastos (Marcelão) escreveu para o blog do HSM inspirado na fala de Kathy Sierra (programadora e game designer) onde é estabelecido um paralelo entre inteligência coletiva e o que Kathy chama de “burrice das multidões”:

  • Inteligência coletiva é um monte de gente escrevendo resenhas de livros na Amazon. Burrice das multidões é um monte de gente tentando escrever um romance juntos.
  • Inteligência coletiva são todas as fotos no Flickr, tiradas por indivíduos independentes, e as novas ideias criadas por esse grupo de fotos. Burrice das multidões é esperar que um grupo de pessoas crie e edite uma foto juntas.
  • Inteligência coletiva é pegar ideias de diferentes perspectivas e pessoas. Burrice das multidões é tirar cegamente uma média das ideias de diferentes pessoas e esperar grande avanço.
    Extraído de : http://www.hsm.com.br/blog/2012/04/burrice-das-multidoes-ou-inteligencia-coletiva

Segundo Surowieck, uma “multidão sábia” é estruturada em 4 pilares :

  1. Diversidade de opiniões
  2. Independência
  3. Descentralização
  4. Agregação

A crítica mais contundente deste modelo é o efeito cascata que acontece quando as pessoas observam as decisões dos outros para depois fazerem a mesma escolha feita pelos primeiros, não levando em consideração os seus próprios critérios. Posts copiados, tuítes retuitados e conteúdos compartilhados sem a confirmação da sua veracidade ou relevância, daí nascem os trolls, os fakes… Continue lendo

Direção de arte e Open Web Platform

O conceito de direção de arte ganhou grande importância nos EUA a partir dos anos 40, fruto da necessidade da publicidade e do cinema de representar o “american way of life “. Cada detalhe era exagerado em sua carga simbólica na busca de exteriorizar a imagem da perfeição e da supremacia pretendidas pelos americanos.

Um bom exemplo deste princípio estético e político que permeava o processo de criação e produção é esta cena do filme  The Milkman ( “O leiteiro” ) de 1950 protagonizada por Donald O’Connor que interpreta canção The Early Morning Song ( “A Canção do Amanhecer” ).

Todos elementos da linguagem audiovisual são propositadamente “arrumadinhos” para garantir a plena compreensão da obviedade da cena que é conduzida com extremo zelo de cenografia, enquadramento, “mickeymousing” ( técnica de representar cada movimento ou intençao da cena com elementos rítmicos e melódicos  explicitos) e com uma coreografia algumas vezes em forma de pantomima, outras vezes em movimentos extraídos da arte circense.

Como pano de fundo casas, ruas, cozinhas, cercas, jardins, figurinos….na mais perfeita exaltação da “beleza americana” que mais tarde seria retratada de maneira decadente no filme de mesmo nome do diretor Sam Mendes.

Estes  elementos e conceitos da direção de arte permeiam a produção audiovisual estão presentes, respeitando as especificidades de cada meio também na mídia impressa e nos meios digitais com a web.

Mas quem é o profissional responsável pela direção de arte na web ? Para responder a esta pergunta vou voltar um pouco no tempo e responder quem era o profissional de web quando eu começava a migrar para esta área , por volta de 1997. Em geral eles tinham dois perfis bem distintos :

  • Tecnológico : O pessoal de informatica, computação, engenharia, matemática e áreas afins

Para eles a internet era uma nova possibilidade de linguagens, códigos, sintaxes. Geralmente desprovidos de qualquer senso estético, uma página web era qualquer representação gráfica de um monte de linhas de código.

  • Artístico : O pessoal de cinema, rádio e tv, artes, comunicação e áreas afins

Para estes a web era um novo suporte para suas elocubraçoes visuais e sonoras, um novo meio de comunicação, de novo o meio era mensagem, a nova aldeia global.

Essa batalha arte e tecnologia já rendeu livros, filmes , teses e também discussões intermináveis na agências e produtoras :

“Qualquer analista profissional de tendências nos dirá que os mundos da tecnologia e da cultura estão colidindo. Mas o que surpreende não é a própria colisão, é o fato de ela ser considerada novidade - JOHNSON, Steven. Cultura da interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar.

Quando do surgimento da fotografia na metade do século XIX dizia-se que estava decretado o fim da pintura, quando o tímido experimento dos irmãos Lumiere ganhou dimensões comerciais dizia-se que o teatro e os musicais se extinguiriam, o mesmo se falou da televisão em relação ao rádio. De certo modo isto se manteve inalterado até a última década do séc. XX, momento a partir do qual a revolução digital e a internet começaram a varrer os últimos guerreiros analógicos das trincheiras da mídia.

Aos poucos quebramos a lógica de Mcluhan que dizia que o meio é a mensagem, quando hoje o meio , ou o suporte passa a ser indiferente já que informação digital rompe a parceria entre forma e conteúdo: o conteúdo são os bits e a forma pode ser aquela que quisermos em qualquer dispositivo que realize a decodificação dos bits…Hoje, na segunda década do século XXI, estas questões começam a ficar para trás. A revolução digital já era!

Falar em revolução digital tinha sentido para aqueles que nasceram no mundo analógico e acompanharam a transição dos átomos para os bits. Do VHS para o DVD, do vinil para o iPod. Que sentido tem falar em revolução digital para a geração que nasceu após 1995 e não conheceu o mundo sem WEB, MP3 e afins? Interatividade agora é palavra chave!

Os profissionais desta nova geração não têm mais necessidade de digitalizar o mundo, mas sim de interagir com ele. Este novo profissional, que começa a ser muito requisitado pelo mercado, é aquele que faz a ponte entre digital e o interativo é aquele que transita com desenvoltura entre as referências históricas e as últimas novidades tecnológicas.

Voltando especificamente para a web, importante dizer que não é mais possível ter um olhar individual sobre as camadas de conteúdo, apresentação e comportamento pois elas se completam e se mesclam interligadas pela semântica. Não existe mais nada gratuito e supérfluo, tudo deve ser relevante para a construção dos significados.

  • Novos recursos de tipografia, antes impensados, agora tornam-se prática comum viabilizando um número de fontes e padrões praticamente infinitos, não mais como imagem, agora com como texto indexável e semântico.
  • CSS Regions, CSS ShadersCSS Compositing permitem projetos responsivos e fluidos que não ficam devendo nada aos complexos layouts antes exclusivos da mídia impressa
  • WebGL e Canvas aproximam a web do mundo dos games, da animação e da realidade aumentada
  • O formato SVG ( imagem vetorial baseada em XML ) veio para ficar
  • ARIA e o cuidado com acessibilidade permitem construir experiências ricas de navegação para todos os públicos
  • UI e UX tornam-se setores estratégicos dentro das empresas.
Guardadas as devidas proporções, assim como no clip do filme The Milkman, nenhum deste elementos  é apenas um “detalhe” ou uma “firula” como se costumava dizer, eles são partes indissolúveis da interface, a nova grande forma de arte, comunicação e inovação tecnológica do séc XXI.
Pensar em direção de arte para web e desconhecer este novo cenário, é ignorar a fusão “arte e tecnologia” é ignorar o legado do homem renascentista que está construindo uma nova era, a era da Open Web Platform :

É a época mais fascinante e inovadora da web desde de sua criação!
Karen Myers, W3C

O fim da era dos plugins

Real Player

Real Player

Quando começaram a aparecer em 1990, os browsers não eram capazes de reproduzir nenhum tipo de mídia, exceto texto. A possibilidade de inserção de imagens foi um marco importantíssimo e o GIF Animado reinou muito tempo como a mais incrível possibilidade criativa da Web.

Arquivos de áudio e vídeo podiam ser oferecidos em links para serem “baixados” e reproduzidos pelos players nativos dos sistemas operacionais (nada de rodar no browser) e além disso, as limitações de acesso e de largura de banda contribuíam para tornar estas experiências nada ricas do ponto de vista do usuário. Certamente não incluímos aqui o uso, hoje considerado bizarro, de sons de fundo em formato MIDI :-)

Essa limitação, aceita com naturalidade por algum tempo, começou a seriamente questionada quando da democratização do acesso, da melhoria de banda e do crescimento da internet como canal de negócios. Por que não incorporar sons, vídeo e interatividade à navegação? A resposta viria com os plugins…

Em 1995, a RealNetworks lança seu player (reprodutor) de áudio, o RealAudio que permitia a reprodução de arquivos sonoros em seus formato proprietários : RA e RAM.

Impossível não falar em plugins e player multimídia sem citar Macromedia e Shockwave. Desenvolvido para o browser Netscape o Shockwave Player em 1995 possibilitava a distribuição de animações e conteúdo interativo desenvolvido com o software Macromedia Director para visualização no browser

O RealVideo que viria em 1997, permitia o streaming de vídeos compatíveis com o padrão H263. Mais tarde, RealAudio e RealVideo se fundiriam no RealPlayer.

Nascido na Macromedia em 1997 e incorporado pela Adobe em 2005 o Flash Player foi uma revolução na distribuição de de conteúdo multimídia na Web, nascido para exibir animações vetoriais o, formato SWF (Shockwave Flash) em pouco tempo torno-se referência na criação de aplicações ricas para Internet ( RIA ) e para demandas que envolvessem jogos, streaming de vídeo e áudio e interfaces gráficas interativas.

A Apple com o QuickTime e a Microsoft com o SilverLight também aventuraram-se no universo dos plugins Web, mas sem o mesmo sucesso do Flash Player.

O crescimento assustador do universo Mobile e movimento das empresas na busca por soluções abertas e nativas dos browsers marcam o declínio da era dos plugins.

Ah! Sempre importante relembrar: Não, não foi o Steve Jobs que matou o Flash. Assim como toda tecnologia, o Flash Player está cumprindo o seu saudável ciclo de vida no qual novas soluções nascem, crescem, amadurecem, mesclam-se com as já existentes e um dia acabam sendo substituídas.

 Com o amadurecimento do HTML5 começamos a nos distanciar cada vez mais deste universo formado por elementos como <applet>, <embed> e <object>, necessários para incorporar funcionalidades multimídia aos browsers e nos aproximamos de uma nova era, a era da multimídia nativa onde plugins não são mais necessários e o carregamento, processamento e controle passa a depender do browser e não mais  de soluções proprietárias de terceiros.

Isso não significa que softwares gráficos de criação e produção multimídia interativa como o Flash irão desparecer, pelo contrário, evoluirão. Cada vez mais o mercado demandará por novas ferramentas de autoração baseadas em padrões abertos que oferecem soluções compatíveis com a evolução das linguagens de marcação, de estilo e de comportamento.

Ganhamos velocidade e acessibilidade. Ganhamos uma Web aberta, ubíqua e semântica: The Open Web Platform.

O futuro do livro já chegou e as editoras ainda não perceberam

Bíblia de Gutenberg

Bíblia de Gutenberg

Gutenberg construiu um dos mais fantásticos dispositivos da história, o livro impresso do famoso alemão recebeu e reproduziu nos últimos 500 anos, com poucas modificações, infinitos softwares: da Bíblia ao Alcorão, da Divina Comédia ao Almanaque do Biotônico Fontoura.

A revolução digital quebrou este paradigma, as “instruções” antes impressas nas páginas dos livros agora são binárias, podem ser lidas por qualquer dispositivo digital. O meio deixa de ser a mensagem, aliás, não importa mais o meio, a mensagem é ubíqua, multiforme, se adapta ou pelo menos busca desesperadamente adaptar-se ao meio. É a inversão do vetor de McLuhan, após séculos de escravidão, a mensagem libertou-se do meio.

Neste novo cenário, surgiram e continuam surgindo uma infinidade de dispositivos que agora são o suporte deste conteúdo flexível, fluído e não mais limitado por átomos, mas sim por bits: Computadores, notebooks, ereaders, tablets, smartphones e uma infinidade de outros aparelhos e neologismos como netbooks e phablets , sim, eu disse phablets !

Alguns deles, como por exemplo, os ereaders, já nascem com uma função claramente transitória, fazendo uma ponte entre velhas e novas soluções, assim como foram os saudosos palmtops !

Muitos estão maravilhados com o universo dos tablets, mas eles também são uma ponte para soluções que já estão chegando, telas flexíveis, dispositivos interativos de realidade aumentada e “the internet of things”

Em relação ao conteúdo ocorre também o mesmo “deslumbramento adolescente”. As pessoas estão impressionadas com livros e revistas para tablets que mais lembram um projetor de slides, onde a cada “toque mágico” um novo diapositivo (slide) é exibido ! Outro dia ouvi em uma grande editora : Mas nosso livro é interativo, o personagem “X” mexe os olhinhos [sic]. Sério que vocês acham que isto é o futuro ?

Slides de João e Maria - Coleção Disquinho

Slides de João e Maria - Coleção Disquinho

Desculpem, mas em 1974 meu pai já fazia isto comandando um velho projetor e sincronizando cada novo slide com o som que saia de um disquinho vermelho de vinil que contava a mim e a meus irmãos a história de João e Maria.

É neste contexto que o mercado editorial, temeroso em perder o bonde da história como ocorreu com o mercado fonográfico, se faz a pergunta mais importante e crucial desde Gutenberg: eBook ? Web ? Aplicativo ?

Vocês devem ter visto inúmeras soluções algumas boas, outras nem tanto, que tentam responder à estas perguntas. Algumas focam a solução nos dispositivos (iPad x Kindle), outras em sistemas operacionais (iOS x Android), em modelos de negócios (soluções fechadas x soluções abertas), em formatos (ePub x ePub3 x iBook x KF8) e outras são uma mistura de todas estas opções o que gera milhões de possibilidades…alguns autores já usam o termo BApp ( eBook + App) para classificar soluções híbridas que estão aparecendo no mercado.

Não sou o portador do Santo Graal e nem guru da pós-modernidade, mas a Web é a resposta para a maioria destas perguntas. A “Open Web Platform”, formada por tecnologias, serviços e formatos que orbitam ao redor do HTML5 permitem soluções que “dão nova vida” ao conteúdo: plasticidade, organicidade, modularidade e interatividade e o que é melhor, ubiquidade !

Leia o livro, ouça o livro, converse com o livro, rabisque o livro, brinque com o livro, estique o livro, amplie o livro, mergulhe no livro, compartilhe o livro, mude o livro, seja co-autor do livro, traduza o livro, projete o livro como um holograma, vista o livro ! Não são apenas metáforas, são ações reais que estão ao alcance do leitor no mundo digital e muitas delas já podem ser experimentadas hoje.

Ao contrário de alguns “neo-chatos” que clamam, proclamam e comemoram o fim do impresso, eu acredito que conviveremos com ele por bastante tempo, mas é inevitável atestar a velocidade exponencial com que as mudanças estão se anunciando.

Esta decisão rumo ao futuro  não é só uma questão de tecnologia é uma questão de posicionamento estratégico onde inovação, consolidação, diferencial competitivo, custos e eficiência são as palavras chave.

Open Your Mind,
Open Web Platform :-)

SEO, Semântica e HTML5

SEO, Semântica e HTML5

SEO, Semântica e HTML5

Falar em revolução digital em 2012 pode parecer tocar em assunto do século passado, mas muitos de seus efeitos ainda não foram totalmente assimilados como, por exemplo, a mudança do vetor de marketing: Não é a empresa que procura o cliente, agora é o cliente procura a empresa. É a chamada Era da Busca!

Este comportamento faz com que a procura das informações seja uma importante interface de relacionamento com as marcas e com as empresas, é nela, na busca, que começa o encantamento ou a decepção com produtos e serviços.

O ato da busca nos traz um bombardeio de informações e de possibilidades de escolha que nos levam a viver em mundo de nichos e tribos no qual as infinitas opções não nos fazem mais felizes, mas muitas vezes nos levam a um universo de insegurança e individualismo.

O papel dos mecanismos de busca cresce em importância à sombra deste paradoxo*, eles são o nosso guru desbravando os segredos das esferas de informação.

Cada umas destas infinitas esferas é composta de infinitas subesferas que estão na extremidade da cauda longa**, esperando para serem descobertas, segmentadas, filtradas e organizadas para que possam retornar o que é mais relevante dentro de cada contexto.

Neste panorama as estratégias de otimização de conteúdo (SEO – Search Engine Optimization) para que os mecanismos de busca desempenhem esta tarefa tornam-se parte obrigatória da estratégia das instituições, sejam elas uma grande multinacional ou um pequeno negócio local.

Os fundamentos e procedimentos técnicos são fundamentais neste processo, mas não conseguem responder às todas as necessidades por que:

  • Não existe uma receita única e universal
  • Não existe uma fórmula exata e estanque
  • SEO não pode estar desvinculado da inteligência de marketing
  • Não existem técnicas definitivas para indexação de conteúdos sociais e ubíquos.

Estas perguntas exigem um tratamento especial da informação, uma análise que procure estabelecer a relação entre palavras, frases, sinais,códigos, símbolos e aquilo que eles representam : A Semântica.

A Semântica é o estudo dos significados e está presente na linguística, ciência, literatura, música e também na WEB.

Todo conteúdo publicado na Web pode, teoricamente, ser interligado semanticamente pelos seus significados. Quando os dispositivos entenderem totalmente o conteúdo inserido e exibido neles, poderão oferecer soluções que hoje ainda não são possíveis. Nós estamos ensinando o sistema a pensar, ensinando às máquinas a hierarquia do conteúdo :

Dados > Informação > Conhecimento > Inteligência

Os mecanismos de busca anseiam, agradecem e retribuem todas iniciativas que levam à uma marcação semântica do conteúdo, é aí que entra o HTML5.

Esta nova especificação introduz novos elementos orientados para auxiliar no desenvolvimento web baseado em padrões compatíveis com todos dispositivos, na marcação semântica do código, na manipulação de elementos do CSS e do JavaScript através da definição de APIs da arquitetura Web.

Pelas características modulares do seu desenvolvimento, as empresas, fabricantes dos navegadores, desenvolvedores, designers e usuários não necessitam aguardar a especificação final da linguagem para colocá-la em uso.

É certo que estamos na pré- história da web, estamos todos engatinhando, mas este discurso de que “tudo é novo”  e de que “não estamos preparados” muitas vezes escondem uma imobilidade e uma falta de visão estratégica por parte das empresas que se recusam à enxergar uma web aberta, acessível, semântica, ubíqua e economicamente viável : The Open Web Platform.

Na apresentação abaixo, realizada no Senac de São José dos Campos durante o Road Show TI Experience 2012, mostro os principais recursos semânticos do HTML5, suas implicações com SEO e tento ampliar alguns caminhos. Fica o convite para clicar e, se gostar, compartilhar :-)

* SCHWARTZ, Barry. O Paradoxo da escolha: por que mais é menos. São Paulo: A Girafa Editora,2007
** ANDERSON, Chris. A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho.Rio de janeiro, Elsevier,2006

Marketing Digital Ágil

A Metodologia Ágil nasceu dentro da indústria de desenvolvimento de software por volta da metade dos anos 90 com um resposta aos métodos tradicionais de gerenciamento de projetos e processos (então considerados pesados e engessados) pelos engenheiros e programadores que buscavam soluções mais flexíveis neste segmento onde os ciclos de vida dos produtos e de inovação tornavam-se cada vez mais curtos. A Lei de Moore é implacável

Hoje nos anos 10 ( primeira vez que escrevo este termo ! ) inovação, nowism, crowdsourcing e ubiquidade são algumas das características que a indústria de softwares / aplicativos hoje compartilha com os todos os segmentos de produtos e serviços das áreas que permeiam o universo da tecnologia da informação e suas respectivas interfaces com o marketing, sobretudo nas implicações com o mercado digital.

A abordagem sistêmica e semântica que o marketing digital demanda pede por processos rápidos e atentos às mínimas oscilações das tendências comportamentais do mercado. Philip Kotler já dizia :

“O mais importante é prever para onde os clientes estão indo e chegar lá primeiro”

Uma visão ágil não deve jamais substituir ou inviabilizar o planejamento estratégico de marketing da sua empresa e requer um envolvimento integrado de toda equipe onde:

  • Esta cultura percorre toda a hierarquia da empresa,
  • Líderes dos vários setores da empresa envolvidos diretamente no processo são evangelizadores e facilitadores do processo
  • O monitoramento dos resultados é meticuloso e constante
  • Metas complexas são divididas em pequenas ações que proporciona feedbacks rápidos que validam ou não o direcionamento adotado

Recomendo a leitura do texto original do Manifesto Ágil para profissionais de gestão de todas as áreas, não só de TI, existem algumas lições interessantes que podem ser extraídas dele. Não é um manual para ser seguido “ao pé da letra” é um norte, um alerta para quem está apegado aos paradigmas de metodologias tradicionais. Agradeço ao Clécio Bachini por ter me iniciado no universo ágil…

Como ficariam os conceitos chave da Metodologia Ágil aplicados ao Marketing Digital ? Vamos experimentar ?

Estamos experimentando metodologias melhores para ações de marketing digital, fazendo-o nós mesmos e ajudando outros a fazerem o mesmo. Através destes métodos procuramos valorizar :

Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas

  •  A democratização do acesso à ferramentas e tecnologias e a facilidade de medir e analisar em tempo real o comportamento do mercado permitem direcionar o foco para aspecto social do processo de comunicação e interação.
  • O enfoque semântico nos resultados dos buscadores, pautado nas inter-relações de significado e engajamento necessitam de profissionais que valorizem e compreendam o comportamento flexível do consumidor, comportamento este que processos rígidos demoram para assimilar.
  • Campanha em funcionamento mais que documentação abrangente
  • Respostas rápidas e mudanças de rota em pleno voo são uma realidade em ações de links patrocinados, qualquer atraso nestes segmentos podem ser fatal para o posicionamento da sua marca. É como uma cirurgia cardíaca, o procedimento dever ser feito com o sistema funcionando

Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos

  • Como é o seu relacionamento com o cliente ? Seu discurso é 2.0, mas a prática é 1.0 ?
  • Aspectos burocráticos emperram as tomadas de decisão urgentes? A concorrência agradece…

Responder a mudanças mais que seguir um plano

  • Seu planejamento permite mudanças 180 º em tempo recorde?
  • Os mínimos sintomas e novidades do mercado são percebidos, assimilados e incorporados à sua práxis ?

Estas considerações não significam de que os valores dos itens à direita, os segundos, sejam desprezados ou ignorados, mas que os itens à esquerda, os primeiros, são o ponto central do ato de escolha.

Repito : Não é um manual, é um norte, um alerta para quem está apegado aos paradigmas de metodologias que são, as vezes, mais aprisionantes que libertadores.

Afinal, o caminho já traçado conduz somente até onde os outros já foram :-)

Do fonógrafo ao HTML5

Voyager Golden Record

Voyager Golden Record

Um fato que sempre me fascinou foi de que as naves espaciais Voyager I e II lançadas em 1977 carregam a bordo discos fonográficos de ouro conhecidos como Voyager Golden Record que carregam sons que tentam de alguma maneira representar a riqueza e diversidade sonora da nossa civilização.

Muito afirmam que a possibilidade deste material ser encontrado (e decodificado) é praticamente zero, mas, caso isto ocorra, os felizardos terão uma visão da Terra do passado, uma cápsula do tempo!

Provavelmente não faremos feio já que nossos “irmãos”  alienígenas poderão se deliciar admirando Beethoven, Guan Pinghu, Mozart, Stravinsky, Blind Willie Johnson and Chuck Berry.

Conheça o projeto Voyager Golden Record : http://pt.wikipedia.org/wiki/Voyager_Golden_Record

A representações espaciais dos nossos aspectos culturais, como a pintura e escultura sempre levaram vantagem em relação aos aspectos temporais com o som e a música.

A volatilidade e a instantaneidade das manifestações sonoras sempre intrigaram o homem: Como perpetuar e compartilhar o momento, o instante único no qual uma onda sonora atinge o nosso sistema auditivo?

Durante séculos a única maneira de ouvir música era estar onde ela era produzida, seja em na esfera púbica ou na esfera privada. Já reparou como na casa seus avós, bisavós ou tios sempre tinha que sabia tocar algum instrumento?

Na Suíça, em 1880, um concerto em Zurique foi transmitido por linhas telefônicas até Basel, a uma distância de cerca de 80 km; no ano seguinte, uma ópera em Berlim ( Alemanha ) e um quarteto de cordas em Manchester ( Inglaterra ) foram transmitidos para cidades vizinhas e, em 1884, uma companhia londrina ofereceu, por uma taxa anual de £10. Quatro pares de fones de ouvido através dos quais assinantes seriam conectados a teatros, concertos, palestras e serviços religiosos. E você achava que pay por view e on demand eram inovações da revolução digital ?

( Chanan, Michael – Repeated Takes: A Short History of Recording and Its Effects on Music )

Essas experiências em transmissão sonora à distância são contemporâneas aos primórdios do fonógrafo de Thomas Edson e do telefone de Graham Bell. O primeiro, um dispositivo mecânico, e o segundo um elétrico, deram início à revolução provocada pela mudança radical da maneira  pela qual os sons e a música entrariam  nas nossas casas e nas nossas vidas.

Ouça The phonograph’s salutation – 1888  ( arquivo .mp3 ) gravação original de 1888 feita com o fonógrafo de Thomas Edson.

Na fronteira da  Open Web Platform, a transmissão e manipulação de áudio na internet ainda encontram algumas questões a serem resolvidas, muito mais ligadas aos problemas comerciais de uso de formatos e codecs do que às limitações técnicas da sua implementação pelo browser.

O site do W3C oferece informações atualizadas sobre o elemento <audio> no HTML5, e no site / wiki  da Mozilla existe um trabalho bem interessante sobre o assunto : Defining an Enhanced API for Audio.

As tecnologias e formatos mudam mas o sonho do ser humano em compartilhar e perpetuar o seu registro sonoro pela galáxias de uma maneira ubíqua e semântica torna-se cada dia mais real. Bits viajando pelo espaço, sem átomos, sem discos, sem plugins,  auto explicativos, informação pura…

O mundo digital pode estar está conectado com o futuro e abrigado na nuvem mas não é desvinculado do passado :-)

Hipertexto : História e Evolução

De maneira explícita ou implícita somos convidados a clicar ( e agora também tocar ) em dispositivos, telas e superfícies de todos tipos e tamanhos, onde cada uma destas ações é a promessa de um mundo ser descoberto, investigado, consumido ou apenas curtido…

Cada texto, cada botão, cada imagem amplia e potencializa o conteúdo tornando-o não linear, tornando-o super, hiper !

Hipertexto é um documento ou sistema formado por distintos blocos de informação (dados, textos, imagens, vídeos, sons) interligados por elos de associação.

Cada um destes blocos de informação é chamado de lexia ou nó, e representa o lugar onde o usuário / leitor / ouvinte do documento se encontra antes de seguir o caminho indicado pelo elo associativo. Em inglês elo é link, por isso não é difícil deduzir onde que esta conversa toda vai acabar. Esta parceria “nó & elo” é o motor do hipertexto, é ela que nos permite navegar entre os diferentes blocos de informação

Leonardo da Vinci - Hipertexto

Leonardo da Vinci - Hipertexto

Apesar de usarmos o termo hipertexto com maior freqüência quando nos referimos ao meio digital, é possível encontrar na literatura, no cinema e na música, sistemas de concepção e criação baseados em padrões de hipertextualidade. Encontramos também princípios de hipertexto nos estudos de Leonardo da Vinci, onde o mestre do renascimento buscava estabelecer relações entre textos, desenhos e cálculos em seus projetos. 

 O hipertexto reflete uma característica intrínseca ao ser humano que é a sua maneira de pensar e compreender o mundo que o cerca através da associação de significados. Não aprendemos de maneira linear acumulando conteúdos seqüencialmente, aprendemos estabelecendo relações entre eles.

 Podemos considerar como o marco fundamental na compreensão de modelos de hipertexto o experimento que o cientista militar americano Vannevar Bush idealizou após a Segunda Guerra Mundial e que foi por ele chamado de MEMEX (Memory Extension).

 Apesar de nunca ter sido construído, sabemos pelos estudos e desenhos do autor que o MEMEX era um mecanismo que recebia conteúdo de texto datilografado em um teclado, imagens registradas por micro-fotografia e sons captados por um microfone. Todo este conteúdo era indexado pelo sistema de maneira que o usuário pudesse posteriormente estabelecer links de associação entre eles. Um computador multimídia analógico!

 Bush publicou, em julho de 1945, um artigo na revista The Atlantic Monthly com o título As We May Think (http://www.theatlantic.com/magazine/archive/1969/12/as-we-may-think/3881), texto fundamental para a compreensão do atual processo de comunicação na web.

Memex - Vannevar Bush

Memex - Vannevar Bush

A palavra hipertexto surge pela primeira vez em 1963 com Ted Nelson (Theodor Holm Nelson). Nascido em 1937, este filósofo norte americano é o  idealizador do projeto Xanadu (http://www.xanadu.com) que tinha por objetivo criar uma criar uma rede de computadores com interface de comunicação simples e acessível.

Algumas das idéias de Nelson foram aproveitadas por Tim Berners-Lee nos anos 90, quando da criação do protocolo HTTP e da linguagem HTML. E a partir do HTML é uma história que você já conhece :-)

Observação : Este artigo foi publicado por mim originalmente no Quadro dos Bemóis

 

Open Web Platform, HTML5, EPUB3 e o mercado editorial

ePUBOpen Web Platform (OWP) ou Plataforma Aberta da Web é um termo utilizado para agrupar tecnologias desenvolvidas pelo W3C (World Wide Web Consortium) e outras instituições que normatizam o uso de formatos e padrões abertos para Web.

Tendo o HTML5 em seu centro, a Open Web Platform é um ecossistema onde orbitam padrões e tecnologias, tais como CSS, SVG, MathML, ECMAScript, WebGL, Geolocation e inúmeras outras.

Mas por que o Mercado Editorial precisa estar de olhos bem abertos para esta “sopa de letrinhas” formada por essa infinidade de siglas e abreviaturas totalmente inteligíveis para quem não é iniciado no mundo da tecnologia? Vamos voltar um pouco no tempo…

O livro digital, também chamado de livro eletrônico ou eBook, trouxe para o mercado editorial os mesmos questionamentos que afligiram, e ainda afligem, as indústrias fotográficas e fonográficas:

  • Como posicionar e aproveitar a minha expertise diante dos novos formatos e suportes tecnológicos?
  • Qual tecnologia irá prevalecer após este período de transição no qual o “hype” do mercado dita modismos que podem estar superados em pouquíssimo tempo?
  • Como capacitar minhas equipes para os novos processos de produção e distribuição?
  • Como ter autonomia para criar e gerenciar aquilo que é o meu “core business” independente de como e onde ele será irá ser inserido e/ou distribuído?

As respostas não são simples e variam muito em função do modelo de negócio adotado/desejado por cada empresa, e, se alguém tiver a fórmula mágica favor me avisar! :D

Diante deste cenário de transição e incertezas as tecnologias e formatos abertos são um norte confiável para a tomada de decisões que envolvem as questões acima. Jeff Jaffe, CEO do W3C aponta as vantagens da adoção de soluções Open Web Platform: “A platform for innovation, consolidation and cost efficiencies”  - Citado em “The future of applications: W3C TAG perspectives” e disponível em http://www.w3.org/2001/tag/doc/IAB_Prague_2011_slides.html

Perceberam as palavras chave?  Inovação, consolidação, custos e eficiência.

Por ser uma solução baseada em padrões abertos (HTML e CSS), o formato ePUB está se tornando referência no mercado editorial e sua adoção é, na minha opinião, um caminho sem volta para todas as casas editoriais. Sua última versão, o ePUB 3 foi recentemente oficializada como uma recomendação do IDPF (International Digital Publishing Forum) e incorpora os novos recursos do HTML5 e do CSS3.

Observação: A Amazon / Kindle, que investiu pesado em seu formato, o .MOBI, agora oferece também o Kindle Format 8 (KF8)

com suporte os recursos do HTML5 em seus novos tablets Kindle Fire.

Então, na prática, qual é novo universo de recursos que se abre com a adoção das tecnologias da Open Web Platform que são parte integrante do formato ePUB 3 ?

  1. Incorporação de áudio e vídeo diretamente no corpo de um documento HTML5
  2. Visualização e animação de gráficos vetoriais com o formato SVG (Scalable Vector Graphics)
  3. Exibição e controle de imagens bitmap com o elemento Canvas, que permite ao usuário, por exemplo, desenhar em tempo real na tela
  4. Uso de recursos de estilo do CSS3 como bordas arredondadas, sombras, transparências e colunas.
  5. API de Geolocalização que permite interagir com mapas e recursos de localização.
  6. Estreitamento da fronteira entre ePUBs e Aplicativos

Para conhecer todas as possibilidades acesse a especificação do formato ePUB3 em : http://idpf.org/epub/30/spec/epub30-overview.html.

O desenvolvimento de e-readers e dispositivos totalmente compatíveis com formato ePUB3 é uma questão de tempo por parte dos fabricantes e espera-se por novidades em 2012.

Trabalhar com as tecnologias Open Web Platform, não é só uma questão ideológica ou tecnológica , é antes de tudo uma questão estratégica.