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Marketing Semântico e Open Web Platform

Em tempos onde as verdades absolutas não são questionadas e a sabedoria das multidões vira pretexto para justificar os mais inusitados acontecimentos, contrariar a máxima do ditado latino “Vox Populi, Vox Dei” soa tão perigoso quanto foi afirmar perante o tribunal da santa inquisição de que a terra era redonda e de que não era ela o centro do universo. Enquanto a unanimidade perpetua o “Status Quo”, o contraponto da divergência, a polêmica e ponto fora da curva geram inovação.

A Sabedoria das Multidões (The Wisdom of Crowds em inglês) é o título do livro de James Surowieck, publicado em 2004, que aborda como quase sempre (algumas controvérsias aqui !) as decisões ou escolhas feitas por um grupo são melhores do que se fossem feitas por qualquer um dos membros deste grupo. Alguns autores e pesquisadores preferem optar pelo termo Inteligência Coletiva para ilustrar essa mesma linha de pensamento.

Este conceito foi usado e abusado pelas empresas para justificarem seus modelos colaborativos, alguns fantásticos outros nem tanto, da então nascente WEB 2.0 após a estouro da primeira bolha da internet por volta de 1999/2000 onde todos passamos a ser “co-autores” da rede ou como gostam de dizer ao americanos “prosumers” que é a junção das palavras “producers + consumers”. Em português seria algo como “prossumidores”, ou seja, “produtores + consumidores”. Era o mundo dos blogs, das wikis e das plataformas sociais colaborativas que começava a tomar força.

Passados então 12 anos, todas estas questões agora ganham uma reverberação ainda maior dentro da realidade entrópica das redes sociais: autoria, co-autoria, crowdsourcing, engajamento, viralização e privacidade são pontos estratégicos a serem considerados pelos indivíduos ou pelas instituições que desejam assumir e monitorar a gestão de suas presenças nas múltiplas plataformas de relacionamento social.

Gostaria de citar um trecho do excelente post que o Marcelo Bastos (Marcelão) escreveu para o blog do HSM inspirado na fala de Kathy Sierra (programadora e game designer) onde é estabelecido um paralelo entre inteligência coletiva e o que Kathy chama de “burrice das multidões”:

  • Inteligência coletiva é um monte de gente escrevendo resenhas de livros na Amazon. Burrice das multidões é um monte de gente tentando escrever um romance juntos.
  • Inteligência coletiva são todas as fotos no Flickr, tiradas por indivíduos independentes, e as novas ideias criadas por esse grupo de fotos. Burrice das multidões é esperar que um grupo de pessoas crie e edite uma foto juntas.
  • Inteligência coletiva é pegar ideias de diferentes perspectivas e pessoas. Burrice das multidões é tirar cegamente uma média das ideias de diferentes pessoas e esperar grande avanço.
    Extraído de : http://www.hsm.com.br/blog/2012/04/burrice-das-multidoes-ou-inteligencia-coletiva

Segundo Surowieck, uma “multidão sábia” é estruturada em 4 pilares :

  1. Diversidade de opiniões
  2. Independência
  3. Descentralização
  4. Agregação

A crítica mais contundente deste modelo é o efeito cascata que acontece quando as pessoas observam as decisões dos outros para depois fazerem a mesma escolha feita pelos primeiros, não levando em consideração os seus próprios critérios. Posts copiados, tuítes retuitados e conteúdos compartilhados sem a confirmação da sua veracidade ou relevância, daí nascem os trolls, os fakes… Continue lendo

7Masters do iMasters: Uma conversa sobre a era pós-dispositivos

No dia 24 de julho de 2012 aconteceu o 7Masters  do iMasters sobre Mobile. Fui convidado a dar uma visão sobre Open Web Platform. Uma conversa informal e muito enriquecedora.  Veja o vídeo da apresentação:

Palestras 7Masters Mobile | A era pós-device com Clécio Bachini por imasters no Videolog.tv.

O futuro do livro já chegou e as editoras ainda não perceberam

Bíblia de Gutenberg

Bíblia de Gutenberg

Gutenberg construiu um dos mais fantásticos dispositivos da história, o livro impresso do famoso alemão recebeu e reproduziu nos últimos 500 anos, com poucas modificações, infinitos softwares: da Bíblia ao Alcorão, da Divina Comédia ao Almanaque do Biotônico Fontoura.

A revolução digital quebrou este paradigma, as “instruções” antes impressas nas páginas dos livros agora são binárias, podem ser lidas por qualquer dispositivo digital. O meio deixa de ser a mensagem, aliás, não importa mais o meio, a mensagem é ubíqua, multiforme, se adapta ou pelo menos busca desesperadamente adaptar-se ao meio. É a inversão do vetor de McLuhan, após séculos de escravidão, a mensagem libertou-se do meio.

Neste novo cenário, surgiram e continuam surgindo uma infinidade de dispositivos que agora são o suporte deste conteúdo flexível, fluído e não mais limitado por átomos, mas sim por bits: Computadores, notebooks, ereaders, tablets, smartphones e uma infinidade de outros aparelhos e neologismos como netbooks e phablets , sim, eu disse phablets !

Alguns deles, como por exemplo, os ereaders, já nascem com uma função claramente transitória, fazendo uma ponte entre velhas e novas soluções, assim como foram os saudosos palmtops !

Muitos estão maravilhados com o universo dos tablets, mas eles também são uma ponte para soluções que já estão chegando, telas flexíveis, dispositivos interativos de realidade aumentada e “the internet of things”

Em relação ao conteúdo ocorre também o mesmo “deslumbramento adolescente”. As pessoas estão impressionadas com livros e revistas para tablets que mais lembram um projetor de slides, onde a cada “toque mágico” um novo diapositivo (slide) é exibido ! Outro dia ouvi em uma grande editora : Mas nosso livro é interativo, o personagem “X” mexe os olhinhos [sic]. Sério que vocês acham que isto é o futuro ?

Slides de João e Maria - Coleção Disquinho

Slides de João e Maria - Coleção Disquinho

Desculpem, mas em 1974 meu pai já fazia isto comandando um velho projetor e sincronizando cada novo slide com o som que saia de um disquinho vermelho de vinil que contava a mim e a meus irmãos a história de João e Maria.

É neste contexto que o mercado editorial, temeroso em perder o bonde da história como ocorreu com o mercado fonográfico, se faz a pergunta mais importante e crucial desde Gutenberg: eBook ? Web ? Aplicativo ?

Vocês devem ter visto inúmeras soluções algumas boas, outras nem tanto, que tentam responder à estas perguntas. Algumas focam a solução nos dispositivos (iPad x Kindle), outras em sistemas operacionais (iOS x Android), em modelos de negócios (soluções fechadas x soluções abertas), em formatos (ePub x ePub3 x iBook x KF8) e outras são uma mistura de todas estas opções o que gera milhões de possibilidades…alguns autores já usam o termo BApp ( eBook + App) para classificar soluções híbridas que estão aparecendo no mercado.

Não sou o portador do Santo Graal e nem guru da pós-modernidade, mas a Web é a resposta para a maioria destas perguntas. A “Open Web Platform”, formada por tecnologias, serviços e formatos que orbitam ao redor do HTML5 permitem soluções que “dão nova vida” ao conteúdo: plasticidade, organicidade, modularidade e interatividade e o que é melhor, ubiquidade !

Leia o livro, ouça o livro, converse com o livro, rabisque o livro, brinque com o livro, estique o livro, amplie o livro, mergulhe no livro, compartilhe o livro, mude o livro, seja co-autor do livro, traduza o livro, projete o livro como um holograma, vista o livro ! Não são apenas metáforas, são ações reais que estão ao alcance do leitor no mundo digital e muitas delas já podem ser experimentadas hoje.

Ao contrário de alguns “neo-chatos” que clamam, proclamam e comemoram o fim do impresso, eu acredito que conviveremos com ele por bastante tempo, mas é inevitável atestar a velocidade exponencial com que as mudanças estão se anunciando.

Esta decisão rumo ao futuro  não é só uma questão de tecnologia é uma questão de posicionamento estratégico onde inovação, consolidação, diferencial competitivo, custos e eficiência são as palavras chave.

Open Your Mind,
Open Web Platform :-)

SEO, Semântica e HTML5

SEO, Semântica e HTML5

SEO, Semântica e HTML5

Falar em revolução digital em 2012 pode parecer tocar em assunto do século passado, mas muitos de seus efeitos ainda não foram totalmente assimilados como, por exemplo, a mudança do vetor de marketing: Não é a empresa que procura o cliente, agora é o cliente procura a empresa. É a chamada Era da Busca!

Este comportamento faz com que a procura das informações seja uma importante interface de relacionamento com as marcas e com as empresas, é nela, na busca, que começa o encantamento ou a decepção com produtos e serviços.

O ato da busca nos traz um bombardeio de informações e de possibilidades de escolha que nos levam a viver em mundo de nichos e tribos no qual as infinitas opções não nos fazem mais felizes, mas muitas vezes nos levam a um universo de insegurança e individualismo.

O papel dos mecanismos de busca cresce em importância à sombra deste paradoxo*, eles são o nosso guru desbravando os segredos das esferas de informação.

Cada umas destas infinitas esferas é composta de infinitas subesferas que estão na extremidade da cauda longa**, esperando para serem descobertas, segmentadas, filtradas e organizadas para que possam retornar o que é mais relevante dentro de cada contexto.

Neste panorama as estratégias de otimização de conteúdo (SEO – Search Engine Optimization) para que os mecanismos de busca desempenhem esta tarefa tornam-se parte obrigatória da estratégia das instituições, sejam elas uma grande multinacional ou um pequeno negócio local.

Os fundamentos e procedimentos técnicos são fundamentais neste processo, mas não conseguem responder às todas as necessidades por que:

  • Não existe uma receita única e universal
  • Não existe uma fórmula exata e estanque
  • SEO não pode estar desvinculado da inteligência de marketing
  • Não existem técnicas definitivas para indexação de conteúdos sociais e ubíquos.

Estas perguntas exigem um tratamento especial da informação, uma análise que procure estabelecer a relação entre palavras, frases, sinais,códigos, símbolos e aquilo que eles representam : A Semântica.

A Semântica é o estudo dos significados e está presente na linguística, ciência, literatura, música e também na WEB.

Todo conteúdo publicado na Web pode, teoricamente, ser interligado semanticamente pelos seus significados. Quando os dispositivos entenderem totalmente o conteúdo inserido e exibido neles, poderão oferecer soluções que hoje ainda não são possíveis. Nós estamos ensinando o sistema a pensar, ensinando às máquinas a hierarquia do conteúdo :

Dados > Informação > Conhecimento > Inteligência

Os mecanismos de busca anseiam, agradecem e retribuem todas iniciativas que levam à uma marcação semântica do conteúdo, é aí que entra o HTML5.

Esta nova especificação introduz novos elementos orientados para auxiliar no desenvolvimento web baseado em padrões compatíveis com todos dispositivos, na marcação semântica do código, na manipulação de elementos do CSS e do JavaScript através da definição de APIs da arquitetura Web.

Pelas características modulares do seu desenvolvimento, as empresas, fabricantes dos navegadores, desenvolvedores, designers e usuários não necessitam aguardar a especificação final da linguagem para colocá-la em uso.

É certo que estamos na pré- história da web, estamos todos engatinhando, mas este discurso de que “tudo é novo”  e de que “não estamos preparados” muitas vezes escondem uma imobilidade e uma falta de visão estratégica por parte das empresas que se recusam à enxergar uma web aberta, acessível, semântica, ubíqua e economicamente viável : The Open Web Platform.

Na apresentação abaixo, realizada no Senac de São José dos Campos durante o Road Show TI Experience 2012, mostro os principais recursos semânticos do HTML5, suas implicações com SEO e tento ampliar alguns caminhos. Fica o convite para clicar e, se gostar, compartilhar :-)

* SCHWARTZ, Barry. O Paradoxo da escolha: por que mais é menos. São Paulo: A Girafa Editora,2007
** ANDERSON, Chris. A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho.Rio de janeiro, Elsevier,2006

A Plataforma Aberta da Web – Open Web Platform

Grafeno: se tudo der certo, circuitos serão feitos disto

Grafeno: se tudo der certo, circuitos serão feitos disto

Está surgindo uma nova era, e poucos ainda se manifestaram sobre ela. É a era da Plataforma Aberta da Web. Mais do que o rótulo de HTML5, as tecnologias ligadas à Web vão sofrer uma revolução com os novos recursos agregadores de mídias, armazenamento e transmissão de dados. O mecanismo que hoje chamamos de browser vai se tornar a grande máquina virtual, que estará em todos os dispositivos.

Sei que você pode imaginar que o tablet é realmente a grande revolução da mobilidade. Mas ele está longe, mas muito longe do que nós discutíamos no Ipiranga (no tempo do colégio técnico em eletrônica na GV) nos anos 90. Longínquos anos 90! Lá já falávamos de folhas de papel touch screen com sistemas em nuvens. Portanto, estamos ainda na pré-história.

Não pense em dispositivos. Os dispositivos, como pensamos hoje, serão uma piada. A web estará em tudo. Nas roupas, nos livros, nas paredes, nas tintas, nas lâmpadas. E por que a web, e não Java ou Python ou Ruby ou C? Porque a web é a maneira mais inteligente e humana de se criar interfaces! A web, quase por acaso, se tornou o meio mais simples e rico de se transmitir e interagir com a informação.

Isto acontece pela maneira como as tecnologias web são construídas. Explico – temos camadas: a grande camada semântica e estrutural – HTML; a camada de estilo, beleza, decoração e agora animação: CSS; e a camada de interatividade, a cola que faz a web rica: o Javascript ou EcmaScript. Cada uma dessas camadas deve funcionar e ser construída de maneira independente, permitindo que a riqueza da experiência não seja destruída por uma intervenção em alguma das camadas.

A camada HTML permite que objetos sejam criados de uma maneira muito peculiar: eu posso explicar o sentido de cada objeto, para que alguém com uma cultura diferente possa tentar entender. Esse alguém pode ser um ser humano ou uma máquina. No caso de ser um ser humano, eu posso tentar explicar detalhadamente o que estou tentando mostrar naquela interface. Por exemplo, explicar a um deficiente visual que a minha página ensina crianças a criar jogos com blocos de montar. Isto tornar essa estrutura rica e fascinante. Indo além, meu código pode ser entendido por alguma máquina. Assim, poderia desenvolver um robô que compreenda o sentido da minha página e faça conexões com outras páginas, para criar um resultado completamente diferente, que talvez nenhum ser humano fosse capaz de notar. A isto chamamos semântica. E o HTML é uma forma espetacular de fazer códigos que façam sentido para os seres humanos e as máquinas.

Depois da semântica criada, podemos dar forma e estilo. Isso fazemos com uma tecnologia chamada CSS. E essa linguagem é distinta do HTML, mas não menos genial. Ela permite que uma mesma estrutura possa ter aparência diferentes de acordo com diversos fatores, até mesmo a vontade do ser humano responsável. Assim, com essa independência, eu posso dar formas visuais diferentes a um mesmo código, sugerindo diversas experiências sem interferir ou destruir a semântica original.

Por fim, cola. O Javascript (Ecma) é o que permite ações e reações relacionada às duas camadas anteriores. Ele é a eletricidade. Ele ouve e fala. Ele é a alma (do latim “o que anima”) da Open Web Plarform. Vejamos: o HTML e CSS é apenas um retrato inicial da sua interface. Sim, uma fotografia do que o projetista da interface quis como inicio. Mas só como inicio. O Javascript permite modificar os objetos HTML bem como seu estilo CSS. Assim, podemos criar e modificar livremente conteúdo em tempo real. Podemos ouvir um evento, como um clique, e a partir disto criar um texto dentro de uma caixa. Podemos mudar a cor, podemos animar e arrastar. Podemos, com HTML5, praticamente tudo.

Pense que os objetos do HTML são como aquela bonecas russas, uma aninhada dentro da outra. Um objeto pai pode conter inúmeros objetos filhos. Assim, porque estamos lidando com objetos, podemos dizer que se trata de um Modelo de Documentos em Objetos, em inglês a sigla é DOM. E se temos pai e filho, temos herança. Entenda a herança como se pegássemos a boneca russa e mudássemos de lugar. Todas as que estão dentro se movem juntas. Assim acontece com os objetos em Open Web. E isto cria um maneira muito simples de construir interfaces. Eu crio um bloco semântico que contém alguns objetos relacionados.

Matroshka, Bonecas Russas: Objetos em Cascata

Matroshka, Bonecas Russas: Objetos em Cascata

Ok, introduzido o HTML e a Open Web, por que eles são revolucionários?

Porque a Web vai ser a máquina virtual universal. O sonho que o Java tinha, a web vai concretizar.

A web já roda em praticamente todos os dispositivos microprocessados. E vai rodar em tudo mesmo. O motor que toca o HTML nos browsers vai estar presente em todos os lugares. O processamento, com a internet de alta velociade, não vai ser local, mas remoto. Em um futuro muito próximo, folhas de papel, plásticos, tecidos revestidos de grafeno terão capacidade de se tornar dispositivos inteligentes, conectados em rede. Ou seja, qualquer objeto vai ser um computador em potencial – barato e descartável. Nesse dispositvo, eu aposto, rodará web.

Por que web é simples e fácil de fazer. É fácil de aprender e ensinar. É de graça e universal. A Web é poderosa, e sua semântica, quando usada com sabedoria, é abrangente e poética. E agora, com a inclusão de suporte a áudio, vídeo, animação e 3D avançados, não há motivo lógico pra se usar outra interface. As outras linguagens não vão morrer, muito pelo contrário, vão ter um vida longa e próspera rodando no lado dos servidores, produzindo Open Web.

Telas Flexiveis

Samsumg Youm: Telas Flexiveis

Daqui a dez anos o metro vai parar na estação e toda sua superfície vai estar coberta com um adesivo de propaganda, como hoje. A diferença é que ele vai ser animado e interativo. Esse adesivo vai rodar Web. Dentro do metro, você vai ver uma propaganda que diz “Curta essa marca”. Você vai poder clicar no adesivo e curtir. No supermercado, o iogurte vai falar com você. E, não duvido, até o dinheiro vai interagir, para evitar falsificações, com dados de geolocalização e rastreabilidade. Pense numa Onça animada na nota de cinquenta reais. Isto está mais perto do que você pensa, e isto é Web. Prepare-se.

Então, Web não vai estar mais dentro do laptop ou desktop, ou de um celular ou tablet. A web vai estar colada em tudo, interagindo com a internet que vem da nuvem. Portanto, pensar hoje em fazer apps para um único dispositivo é no mínimo uma estratégia desastrada. As pessoas devem se preparar para um mundo onde o dispositivo não importa. O que importa é a experiência humana, a interface.

PS: Conversando com a Talita Pagani, ele me introduziu o conceito de Tangible User Interface e Organic User Interface. Dêem uma olhada neste artigo:http://www.organicui.org/?page_id=5. E agora imagine que roda web. É isto. :D

Do fonógrafo ao HTML5

Voyager Golden Record

Voyager Golden Record

Um fato que sempre me fascinou foi de que as naves espaciais Voyager I e II lançadas em 1977 carregam a bordo discos fonográficos de ouro conhecidos como Voyager Golden Record que carregam sons que tentam de alguma maneira representar a riqueza e diversidade sonora da nossa civilização.

Muito afirmam que a possibilidade deste material ser encontrado (e decodificado) é praticamente zero, mas, caso isto ocorra, os felizardos terão uma visão da Terra do passado, uma cápsula do tempo!

Provavelmente não faremos feio já que nossos “irmãos”  alienígenas poderão se deliciar admirando Beethoven, Guan Pinghu, Mozart, Stravinsky, Blind Willie Johnson and Chuck Berry.

Conheça o projeto Voyager Golden Record : http://pt.wikipedia.org/wiki/Voyager_Golden_Record

A representações espaciais dos nossos aspectos culturais, como a pintura e escultura sempre levaram vantagem em relação aos aspectos temporais com o som e a música.

A volatilidade e a instantaneidade das manifestações sonoras sempre intrigaram o homem: Como perpetuar e compartilhar o momento, o instante único no qual uma onda sonora atinge o nosso sistema auditivo?

Durante séculos a única maneira de ouvir música era estar onde ela era produzida, seja em na esfera púbica ou na esfera privada. Já reparou como na casa seus avós, bisavós ou tios sempre tinha que sabia tocar algum instrumento?

Na Suíça, em 1880, um concerto em Zurique foi transmitido por linhas telefônicas até Basel, a uma distância de cerca de 80 km; no ano seguinte, uma ópera em Berlim ( Alemanha ) e um quarteto de cordas em Manchester ( Inglaterra ) foram transmitidos para cidades vizinhas e, em 1884, uma companhia londrina ofereceu, por uma taxa anual de £10. Quatro pares de fones de ouvido através dos quais assinantes seriam conectados a teatros, concertos, palestras e serviços religiosos. E você achava que pay por view e on demand eram inovações da revolução digital ?

( Chanan, Michael – Repeated Takes: A Short History of Recording and Its Effects on Music )

Essas experiências em transmissão sonora à distância são contemporâneas aos primórdios do fonógrafo de Thomas Edson e do telefone de Graham Bell. O primeiro, um dispositivo mecânico, e o segundo um elétrico, deram início à revolução provocada pela mudança radical da maneira  pela qual os sons e a música entrariam  nas nossas casas e nas nossas vidas.

Ouça The phonograph’s salutation – 1888  ( arquivo .mp3 ) gravação original de 1888 feita com o fonógrafo de Thomas Edson.

Na fronteira da  Open Web Platform, a transmissão e manipulação de áudio na internet ainda encontram algumas questões a serem resolvidas, muito mais ligadas aos problemas comerciais de uso de formatos e codecs do que às limitações técnicas da sua implementação pelo browser.

O site do W3C oferece informações atualizadas sobre o elemento <audio> no HTML5, e no site / wiki  da Mozilla existe um trabalho bem interessante sobre o assunto : Defining an Enhanced API for Audio.

As tecnologias e formatos mudam mas o sonho do ser humano em compartilhar e perpetuar o seu registro sonoro pela galáxias de uma maneira ubíqua e semântica torna-se cada dia mais real. Bits viajando pelo espaço, sem átomos, sem discos, sem plugins,  auto explicativos, informação pura…

O mundo digital pode estar está conectado com o futuro e abrigado na nuvem mas não é desvinculado do passado :-)

Redes Sociais: Ensinando andróides a pensar

Apple McIntosh

Isto é uma maçã

Um pequeno robô vê uma maçã. Maçã: fruta suculenta, a preferida de muitas pessoas. Também deu nome à fábrica de dispositivos eletrônicos. Alguns amam, outros detestam. Mas a inspiração – essa veio do Newton, que estava embaixo da macieira quando a fruta, madura, vermelha e suculenta, caiu na sua cabeça revelando a gravidade. Lenda ou verdade? O robô talvez não saiba responder, mas ele sabe o que as pessoas sabem e sentem a respeito disto.

Dois dias atrás, conversando com o Fábio Flatschart, ele me apresentou o Pinterest. Ok, mais uma rede social que a profissão nos obriga a conhecer. Só que para mim, o Pinterest foi a maçã do Newton. Caiu na minha cabeça e percebi algo que nunca tinha pensado: estamos ensinando às máquinas pensamento subjetivo!

Vejam só: há muitos anos existem máquinas que aprendem. Aprendem por experiência e obervação, como um filhote. Neste perfil, quem programa o instinto inicial é o construtor da máquina. Ele também coloca alguma informação e inteligência artificial. Geralmente tudo isto embarcado ou em alguma rede local.

Pois é, inteligência artificial: para mapear todo o conhecimento humano com sua subjitividade cultural qualquer fabricante de software levaria décadas. E mais – quando alguém responde uma pergunta com algum tipo de estimulo, como dinheiro ou prêmios envolvidos, a transparência das informações é comprometida. Quantas vezes eu vi os carros de pesquisa para novos produtos parados na rua Tuiuti e o povo fazendo fila pra responder que adorou só pra ganhar algum prêmio.

Mas agora, meus amigos, todo conhecimento humano, em nível racional e emocional está sendo mapeado. E, nenhuma empresa está pagando por isto. Muito pelo contrário, as pessoas estão fazendo isto de graça, como voluntárias, e com prazer. Isto se chama Redes Sociais.

Nas redes sociais as pessoas compartilham livremente suas opiniões, emoções, fatos do cotidiano, imagens, músicas, gostos, cultura, religião etc. Eu deixo claro que gostei no Facebook, eu coloco um hashtag no Twitter. Tudo pra deixar bem explicito o que quero dizer.

E isto, se ninguém notou ainda, está criando um vetor cultural, que vai ensinar às máquinas, com alguma inteligência artificial baseada em pilares muitos simples, entender subjetividade.

Superman 1941

Robô Wi-Fi - Superman -1941

E como o Pinterest me ensinou isto? Vamos lá: eu navego na rede e vejo uma foto de uma maçã. Eu coloco um pin nesta maçã, e pinduro no meu quadro virtual dentro do Pinterest. Este quadro tem um nome, dando valor semântico ao objeto virtual. Outras mil pessoas fizeram a mesma coisa com a mesma imagem. Só que cada um criou um valor semântico único, classificando essa imagem e fazendo um comentário. Jogando um pouco de inteligência artificial em cima disto, eu posso obter um vetor que aponta qual a tendência emocional aquela imagem causa em determinados grupos sociais. Ou seja, a máquina é capaz de saber que emoção uma determinada imagem causa nas pessoas. Assustador, não? Mas isto é só o começo!

Na ficção científica, os andróides se assemelham tanto ao homem que, como nós, carregam o conhecimento embarcado. Até pouco tempo, sempre pensamos em robôs que seriam programados para entender certos problemas. Mas agora minha visão mudou. É um chute, mas penso que a inteligência artificial vai existir primordialmente na nuvem. E que todo autômato vai estar ligado em nuvem como um terminal burro que consulta seu mainframe. Isto vai desde os nano-robôs que vão construir os edificios, até os adesivos interativos colados nos postes. As embalagens das bolachas que tocam propaganda, a garrafa de Gatorade que controla o seu treino. Essa é a grande era da internet das coisas! E a tecnologia pra isto se chama Open Web Platform, do W3C.

Minha visão é que todo o conhecimento das pessoas está sendo armazenado de maneira natural e vai alimentar uma base de inteligência que vai fazer a Matrix parecer um Fiat 147. Caso não tenha percebido isto está acontecendo agora. E não é uma coisa boa ou ruim. É um fato.

Não se iluda com os estudos sobre redes sociais que publicitários estão fazendo. Publicitários não conhecem Alan Turing, autômatos e Prolog. Eles apenas sugam a nata gordurosa e perceptível que está sobre as mídias sociais. O melhor, o incrível e o extraordinário estão em baixo. Este é o leite que vai alimentar as máquinas, num futuro que nem Verne, Asimov ou Orwell ousaram imaginar.

Do Androids Dream of Electric Sheep?  - perguntou Philip K. Dick. Eu agora prefiro pensar que os Andróides sonham com Redes Sociais.

Tudo isto até a próxima tempestade solar. :D

BI, visualização de dados e OWP semântica

Business Intelligence (BI) em uma tradução literal significa Inteligência Empresarial ou Inteligência nos Negócios; inteligência esta fundamental para o sucesso de qualquer empresa.

Atualmente as empresas investem valores substanciais em seus parques tecnológicos e em segurança da informação; acertadamente; porém deixando às vezes de lado o investimento para obtenção de informações gerenciais.

Mapeando a Blogosfera

Imagem Retirada da Smashing Magazine, 14/01/2008

Para efeito deste artigo, quanto usamos o termo “informação”, leia-se: um ou mais dados relevantes para uma determinada finalidade, ou seja, um ou mais dados contextualizados que realmente façam sentido para um determinado propósito.

Um bom sistema de BI, devidamente e corretamente “alimentado” (trataremos disso mais adiante neste artigo) pode auxiliar na recuperação dos dados gerando informação relevante, podendo chegar até a fazer previsões e inferências nas tomadas de decisões da empresa.

Implantando uma solução de BI, todos os stakeholders além de visualizarem as mesmas informações (se esta for a intenção) potencializam a possibilidade de extração de informações.

Em tempos no quais precisamos tomar decisões em tempo real, temos que pensar em soluções que proporcionem conteúdo informacional relevante disponível de forma rápida e prática.

Os executivos não podem se ater a leituras intermináveis de relatórios gigantescos, ricos em detalhes, no entanto ter que ficar procurando as informações que almejam. A forma mais expressiva para tanto toma corpo em dashboards, ou seja, indicadores de informação em tempo real.

Um tema também atual é a visualização de dados, tema este que fará com que realmente o BI faça a diferença. Além de várias formas de visualização de dados, temos que pensar na semântica destes dados.

Os dados, para posterior visualização, podem estar disponíveis em sua máquina local ou em grandes data centers, porém para que o conteúdo informacional seja mais rapidamente encontrado ele deve possuir uma semântica rica, ou seja, temos que pensar antes da recuperação, e sim na geração do conteúdo informacional, em sua semântica, eis aí o core do assunto.

Para o BI não importa de onde venham os dados, conta-se com um poderoso processo de Extract, Transform e Load (ETL) que dará conta e deixará as informações disponíveis, desde que com a semântica correta. É óbvio que temos exemplos que empresas que viveram e vivem atualmente sem uma solução de BI, porém seus discursos são os mesmos: informação incorreta, demora para obtenção da mesma, incerteza nos dados apresentados dentre outros problemas.

Para tanto, além da semântica para uma boa e rápida recuperação (visualização) da informação via BI, temos que atentar para outros termos não menos importantes, a saber: padrões web, Open Web Platform (OWP), acessibilidade e usabilidade.

Sabemos que hoje a web é a plataforma de trabalho, para tanto, a informação tem que estar disponível e “visualizável” em qualquer navegador ou dispositivo, para isso devemos adotar os padrões web, ou melhor, os padrões do World Wide Web Consortium (W3C).

Temos que pensar em Open Web Platform (OWP), e para isso eu recomendo um ótimo artigo (http://soyuz.com.br/blog/open-web-platform-epub3-e-o-mercado-editorial/) que cobre o tema.

Para que esse mesmo conteúdo informacional seja realmente acessado ele tem que ter acessibilidade, ou seja, que seja possível chegar até o seu conteúdo independente se tenho ou não algum tipo de necessidade especial, seja ela permanente ou temporária.

E por último, usabilidade. A informação tem que ter usabilidade, ou seja, que seja fácil de interagir com a mesma sem ter que ficar “dando voltas” para encontrar ou entender o conteúdo informacional, temos que contar com um ambiente sugestivo o bastante para otimizar o trabalho.

O tema BI é muito extenso e por aqui não se encerra, temos que pensar, além disso, no seu uso no dia-a-dia empresarial, aí um bom sistema de BI servirá de fomento para um olhar micro sobre a empresa via Corporate Performance Management (CPM), um olhar macro via Enterprise Performance Management (EPM) ou um olhar sobre negócio da empresa como um todo via Business Performance Management (BPM), mas isso é assunto para outro artigo.

Open Web Platform, HTML5, EPUB3 e o mercado editorial

ePUBOpen Web Platform (OWP) ou Plataforma Aberta da Web é um termo utilizado para agrupar tecnologias desenvolvidas pelo W3C (World Wide Web Consortium) e outras instituições que normatizam o uso de formatos e padrões abertos para Web.

Tendo o HTML5 em seu centro, a Open Web Platform é um ecossistema onde orbitam padrões e tecnologias, tais como CSS, SVG, MathML, ECMAScript, WebGL, Geolocation e inúmeras outras.

Mas por que o Mercado Editorial precisa estar de olhos bem abertos para esta “sopa de letrinhas” formada por essa infinidade de siglas e abreviaturas totalmente inteligíveis para quem não é iniciado no mundo da tecnologia? Vamos voltar um pouco no tempo…

O livro digital, também chamado de livro eletrônico ou eBook, trouxe para o mercado editorial os mesmos questionamentos que afligiram, e ainda afligem, as indústrias fotográficas e fonográficas:

  • Como posicionar e aproveitar a minha expertise diante dos novos formatos e suportes tecnológicos?
  • Qual tecnologia irá prevalecer após este período de transição no qual o “hype” do mercado dita modismos que podem estar superados em pouquíssimo tempo?
  • Como capacitar minhas equipes para os novos processos de produção e distribuição?
  • Como ter autonomia para criar e gerenciar aquilo que é o meu “core business” independente de como e onde ele será irá ser inserido e/ou distribuído?

As respostas não são simples e variam muito em função do modelo de negócio adotado/desejado por cada empresa, e, se alguém tiver a fórmula mágica favor me avisar! :D

Diante deste cenário de transição e incertezas as tecnologias e formatos abertos são um norte confiável para a tomada de decisões que envolvem as questões acima. Jeff Jaffe, CEO do W3C aponta as vantagens da adoção de soluções Open Web Platform: “A platform for innovation, consolidation and cost efficiencies”  - Citado em “The future of applications: W3C TAG perspectives” e disponível em http://www.w3.org/2001/tag/doc/IAB_Prague_2011_slides.html

Perceberam as palavras chave?  Inovação, consolidação, custos e eficiência.

Por ser uma solução baseada em padrões abertos (HTML e CSS), o formato ePUB está se tornando referência no mercado editorial e sua adoção é, na minha opinião, um caminho sem volta para todas as casas editoriais. Sua última versão, o ePUB 3 foi recentemente oficializada como uma recomendação do IDPF (International Digital Publishing Forum) e incorpora os novos recursos do HTML5 e do CSS3.

Observação: A Amazon / Kindle, que investiu pesado em seu formato, o .MOBI, agora oferece também o Kindle Format 8 (KF8)

com suporte os recursos do HTML5 em seus novos tablets Kindle Fire.

Então, na prática, qual é novo universo de recursos que se abre com a adoção das tecnologias da Open Web Platform que são parte integrante do formato ePUB 3 ?

  1. Incorporação de áudio e vídeo diretamente no corpo de um documento HTML5
  2. Visualização e animação de gráficos vetoriais com o formato SVG (Scalable Vector Graphics)
  3. Exibição e controle de imagens bitmap com o elemento Canvas, que permite ao usuário, por exemplo, desenhar em tempo real na tela
  4. Uso de recursos de estilo do CSS3 como bordas arredondadas, sombras, transparências e colunas.
  5. API de Geolocalização que permite interagir com mapas e recursos de localização.
  6. Estreitamento da fronteira entre ePUBs e Aplicativos

Para conhecer todas as possibilidades acesse a especificação do formato ePUB3 em : http://idpf.org/epub/30/spec/epub30-overview.html.

O desenvolvimento de e-readers e dispositivos totalmente compatíveis com formato ePUB3 é uma questão de tempo por parte dos fabricantes e espera-se por novidades em 2012.

Trabalhar com as tecnologias Open Web Platform, não é só uma questão ideológica ou tecnológica , é antes de tudo uma questão estratégica.